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Recordações e memórias do "ouro branco" em Vila Viçosa

Entramos no Museu do Mármore em Vila Viçosa. Conseguimos relembrar e rever, numa panóplia de maquinaria e equipamentos, a história deste precioso mineral. É com nostalgia que observamos com atenção todos os objectos expostos e nos vem à memória outros tempos e outras realidades.

Alicerçar passado e presente foi o objectivo desta visita ao Museu do Mármore, instalado na antiga estação ferroviária de Vila Viçosa, num edifício datado do sec.XX e que constitui um dos mais importantes agentes culturais do contexto alentejano.

 

Iniciamos a visita na sala de geologia. A carta geológica anticlinal demarca toda esta zona dos mármores, onde se incluem Estremoz, Sousel, Alandroal, Borba e Bencatel. Esta área tem inicio em Estremoz e conta com 40km de comprimento e 12 km de largura. Ao longo desta distância figuram vários tipos de mármores: rosas, pele tigre, azul claro, brancos (anilados, ruivina), entre outros.

 

Durante o moroso processo de extracção do mármore, é comum encontrar alguns minerais sem qualquer valor comercial, que são um sério obstáculo à tarefa de extracção. Os calcários, os olhos de mocho, o calcite ou o metavulcanico são exemplo disso mesmo.

Mas, para se ter uma noção da evolução na extracção do mármore, "hoje um disco diamantado pode cortar um bloco de mármore em três horas, ao passo que antigamente os materiais utilizados eram martelos pneumáticos, alguns ainda a gasolina. Para a tarefa eram necessários dois operários e  isso podia levar horas a fio", conta-nos, a meio desta visita, Maria Clara - a guia de serviço do Museu do Mármore.

 

Nos últimos tempos a evolução na extracção do mármore ocorreu em todos os sectores e a segurança dos operários não foi excepção. Hoje é expressamente obrigatório, por parte dos operários, o uso de auriculares, capacete, máscaras, luvas, botas de biqueira de aço, óculos e protecção. Antigamente o capacete de aço era o único elemento de protecção dos operários.

Quanto à maquinaria, o Crapôt servia para levantar os blocos de mármore. A maquina era de tal forma perigosa que tinha a alcunha de "rebenta homens". Alguns acidentes de trabalhos foram provocados por o crapôt, que nem sempre tinha a capacidade de levantar os blocos.

 

No plano económico, o sector do mármore já viveu melhores dias, devido essencialmente, à forte crise económico-financeira que se faz sentir à escala global.

O Iraque era um dos principais países importadores desta matéria prima mas, a guerra que eclodiu neste país, terá, em parte, reduzido o fluxo de exportação e isso terá prejudicado o sector nesta região. Espanha, França, Holanda, Itália e E.U.A. são, actualmente, os mercados preferenciais do mármore alentejano.

 

O Museu é símbolo da importância do património natural desta região. O actual acervo do museu permite recriar espaços ou microcosmos, através dos quais o visitante realiza uma viagem global pelo ciclo de mármores, desde a formação, prospecção, extracção, transformação e consequente obra-prima.

 

Este é um espaço cultural, que recebe muitos turistas, maioritariamente ingleses, holandeses e franceses. As visitas ascendem nos meses da Primavera e Verão, época em que a "Vila Museu" é mais visitada. O Museu do Mármore está aberto de terça-feira a domingo, das 9h:00 às 12:30h e na parte da tarde das 14h:00 às 17h:30. A visita tem um custo de 1,05 euros, sendo que visitas de estudo, crianças com menos de doze anos e os maiores de 65 anos não pagam.

 

Confira a reportagem fotográfica:

 

Protecções são hoje obrigatórias na extracção do mármore

 

Maquina histórica presente no exterior do Museu

 

1929 - Vagonete transporta primeira pedra exportada para os E.U.A.

 

Manequim mostra vestuário aquando o início da exploração do mármore

 

Maquete representativa das pedreiras de Vila Viçosa

 

Maria Clara conduziu-nos na visita ao Museu do Mármore

 

Fonte: Rádio Campanário - 12 Fevereiro 2010