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O artesanato é o reflexo de uma cultura
material que através da utilização de técnicas e saberes
tradicionais expressa vivências e sensibilidades de um
povo. Vila Viçosa é terra de artesãos que, com o
mármore ou o estanho, executam verdadeiras obras
artísticas, muito apreciadas.
Apeles
Coelho é um desses ícones do artesanato. Natural de Vila
Viçosa, o artesão com uma obra já reconhecida na arte de
fazer e moldar o estanho, começou a aprender o oficio
"com os ciganos que andavam um pouco por toda a Europa",
quando tinha apenas 15 anos de idade.
"Trabalhei peças em forja e fazia estanho nas horas
vagas", disse. Apeles Coelho explicou que "há vários
processos para moldar estanho" e considera a caravela
como a "peça mais difícil" que fez até hoje. Uma
caravela típica do séc. XVII que valeu dois prémios ao
artesão calipolense, no valor de 750 mil escudos (1500
euros).
Conhecido nacional e internacionalmente pela sua obra,
Apeles Coelho já participou em inúmeras exposições, à
escala mundial, nomeadamente em França, Holanda,
Bélgica, Espanha, Itália, Canadá (Toronto) e Japão
(Tokyo).
Confrontado com a actual
situação desta actividade, salienta que o "comércio de
louça de estanho no nosso país está parado". "O meu
melhor cliente era o Estado, pois vendia-lhes muitos
pratos com o brasão nacional", apurou. Apeles Coelho diz
ser com "tristeza que vê o trabalho do estanho
terminar", ele que chegou a ter uma oficina com seis
empregados e uma loja, onde vendia os artigos ali
produzidos.
Para este artesão os
segredos do estanho "passam de família em família, de
herdeiro para herdeiro", e remata que jamais divulgaria
esses segredos a outras pessoas.
Uma reportagem Rádio
Campanário - Voz de Vila Viçosa.

Oficina de estanho de Apeles Coelho na
Rua Dr. Manuel de Arriaga, em Vila Viçosa

Exemplar em estanho da Porta dos Nós de
Vila Viçosa

A Caravela foi uma das peças mais
galardoadas do artesão

O armazém conta com vários moldes

Exemplo de um molde de prato de estanho
Fonte: Rádio Campanário - 19
Janeiro 2010
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