Rondão Almeida em grande entrevista aborda o que originou o seu desentendimento com Nuno Mocinha, as próximas autárquicas, as divergências com a Federação do PS e o desmoronamento da equipa do atual executivo (c/som)

Publicado em Entrevistas 06 outubro, 2016

António Rondão Almeida, candidato nas próximas Eleições Autárquicas pelo movimento de cidadãos independente “Elvas é o nosso Partido”, e antigo presidente da Câmara Municipal de Elvas durante vinte anos, numa grande entrevista à Rádio Campanário, falou sobre o movimento que encabeça para concorrer às próximas Eleições Autárquicas, a forma como foi tratado pela Federação do Partido Socialista de Portalegre, o que esteve na base do seu desentendimento com Nuno Mocinha, e afirma que a equipa do atual presidente da Câmara de Elvas se estar a desmoronar.

Rondão Almeida refere que “os movimentos cívicos que têm vindo a surgir vão abanar profundamente o que são as grandes árvores que nasceram com o 25 de abril, ou seja, os partidos tradicionais, o PS, o PSD, o CDS, o PC, todos eles vão sentir um pouco aquilo que é o aparecimento destes movimentos cívicos que se preparam para concorrer aquilo que a lei, por enquanto, lhe permite, porque um dia que tiverem a coragem desses partidos abrirem a possibilidade desses movimentos se poderem candidatar também à Assembleia da República, maior será o estrago que irão fazer nos partidos tradicionais (…)”.  

Rondão Almeida considera que sempre respeitou o Partido Socialista, mas que se serviram dele, e o colocaram de lado, porque era “um grande estrago para o PS de Portalegre”.

António Rondão Almeida declarou à Rádio Campanário que os socialistas sabem que foi sempre uma pessoa “muito especial dentro do partido”, tendo agido sempre pela sua cabeça “e nunca com orientações de qualquer grupo politico ou partidário. Evidentemente que enquanto militante, respeitei o meu partido e quem sabe, se agora, no meu interior, aquilo que existe não é uma veia social democrática completa, evidentemente que não é aquele socialismo de esquerda profundo, mas um homem extremamente moderado como sempre tenho sido”.

Rondão Almeida expressa que o Partido Socialista não se portou muito bem com ele, “nestes últimos dois anos, e é um dos grandes males do partido, servirem-se das pessoas, e depois, quando eles pensam que a pessoa já não lhe é útil, passam-na para o lado”.

Questionado sobre como viu a posição da Federação do PS de Portalegre, em relação à sua pessoa, Rondão Almeida diz que o grande interesse que existia na Federação, “era o desaparecimento de Rondão Almeida da política, porque era a única forma de Portalegre voltar a ter o peso que tinha em 1993, quando Rondão Almeida veio para Elvas”.

Afirma que sempre foi “um grande estrago para o PS em Portalegre porque fez com que Elvas começasse a ter voz no distrito e não fosse só a capital”.

Acrescenta que “a partir do momento” em que a Federação “tem a oportunidade para ter um homem da sua mão em Elvas, para darem a Portalegre a possibilidade de ser Portalegre a escolher os candidatos da Câmara Municipal de Elvas, está tudo dito”, salientando que “com Rondão Almeida isso nunca aconteceria, nunca Portalegre mandaria em Elvas, em qualquer dos aspetos que fosse, e quando um dia os de Portalegre quiserem pôr o pé em cima de Elvas, têm sempre o Rondão Almeida contra, e foi isso que aconteceu, e por isso mesmo, o desentendimento também com a própria Federação”.

Quando questionado sobre a composição das listas nas últimas Eleições Autárquicas, em que surgiu em terceiro lugar, depois de ter estado à frente dos destinos do município ao longo de vinte anos, poder vir a não resultar, expressa que estava convicto de que iria resultar porque “a equipa tinha três pilares muito importantes, a minha pessoa, o Nuno, o atual presidente, e a Elsa Grilo, eram, chamemos-lhe assim, os três elementos que tinham condições, de a qualquer momento, serem presidentes. Demos a oportunidade ao Nuno para ele ser o presidente no decorrer deste mandato, nada poderia prever que criasse uma situação que veio a partir este espirito de equipa”.

Instado se foi combinada alguma estratégia para que quem tomasse as rédeas do município seria Rondão Almeida e não Nuno Mocinha, diz que “Nuno Mocinha seria o presidente e como tal seria o nosso presidente, foi dito em plena Assembleia Municipal pela minha pessoa que Nuno Mocinha é o meu presidente, mas não é o meu líder político-partidário, por isso há uma liderança politica e há uma liderança na câmara, na câmara era o presidente da câmara, no partido o líder era o presidente da concelhia, Rondão Almeida (…) estava tudo bem definido”.    

Sobre se nunca conseguiu distanciar-se do cargo que exerceu durante vinte anos, refere que se desvinculou bem, “até porque saí dos Paços do Concelho e fui para a Casa da Cultura onde tinha o meu gabinete de trabalho e tinha os meus pelouros”.

Salienta que sempre alertou Nuno Mocinha de que “não era muito fácil, que no decorrer do primeiro e do segundo ano de mandato, as pessoas não continuassem a ver que Rondão Almeida é que seria o presidente e isso iria ser utilizado pela oposição e de uma forma a tentá-lo desgastar psicologicamente, dizendo que quem mandaria era o Rondão Almeida e ele seria um pau mandado, eu avisei o Nuno Mocinha que isto seria o papel da oposição e que ele teria que ter peito largo em termos de democracia para começar a mostrar trabalho e quando fosse identificado com o lugar e as pessoas também identificadas com o seu presidente, mas ele não deu tempo e foi-se abaixo e atrás daquilo que a oposição dizia (…)”.

António Rondão Almeida, afirma que a atual equipa da Câmara Municipal de Elvas, liderada por Nuno Mocinha, se está a desmoronar.

Recorde-se que Rondão Almeida integrava a lista de Nuno Mocinha nas Eleições Autárquicas de 2013, tendo ocupado o terceiro lugar na lista e sido eleito vereador. Depois de instalada uma crise politica na Câmara de Elvas, devido a divergências entre Nuno Mocinha e Rondão Almeida, o atual presidente retirou os pelouros aos vereadores, Elsa Grilo e Rondão Almeida. Atendendo às divergências e à falta de apoio do PS e da Federação Distrital de Portalegre do Partido Socialista, Rondão Almeida entregou o cartão de militante, de há 40 anos, do PS, levando a que formalizasse uma candidatura independente às próximas autárquicas.  

Rondão Almeida declarou agora a esta Estação Emissora que trabalhou muitos anos com uma equipa, em que alguns deles estão na Câmara Municipal há 20 anos, “e agora vai-se buscar um elemento a uma Junta de Freguesia e mete-se em segundo lugar e atira-se com aqueles elementos que andaram a trabalhar para nós, para quarto e quinto lugares, lugares que não vão ser eleitos, evidentemente que alguma coisa corre mal”.

Instado sobre quem é o nome que menciona, Rondão Almeida avança que é “o engenheiro Claudino de Santa Eulália, que vai em segundo lugar, e o engenheiro Valério e o engenheiro Tiago Afonso, homens que fazem parte neste momento da equipa, são atirados, possivelmente, para quarto e quinto lugares. Evidentemente que isto diz-nos que qualquer coisa não está bem, ou se eles são competentes, porque razão é que agora são substituídos em termos de posição na própria lista”.

Questionado se pondera convidar esses vereadores para a sua equipa, o vereador sem pelouros da Câmara de Elvas, Rondão Almeida expressa que “a equipa já está feita, desde abril. Quando fomos para o terreno para apanhar subscritores, os subscritores que são proponentes da lista, têm que ter conhecimento do primeiro ao último, tanto para a câmara como para a assembleia, como para as juntas, e como tal, a equipa do movimento cívico independente é por demais já conhecida, desde o primeiro ao décimo quarto na lista para a câmara, desde o primeiro ao quadragésimo segundo para a assembleia, está tudo por ordem e as pessoas por baixo assinam com o bilhete de identidade, o que quer dizer que as pessoas já conhecem esta equipa e já sabem quem são (…) é uma equipa de excelência”.

 

 

 

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