O antigo Convento das Servas, em Borba, no distrito de Évora, vai ser transformado num hotel de cinco estrelas. Foi hoje apresentado o novo projeto turístico para o Convento das Servas em Borba, na reunião extraordinária da Assembleia Municipal de Borba, no Pavilhão de Eventos do Município.
A Rádio Campanário esteve presente na apresentação, e de acordo com as declarações dos apresentadores do projeto, a obra de reabilitação deste espaço tem um investimento de cerca de 35 milhões de euros, e vai ser dotada de uma lotação de 55 quartos no Convento e 45 pequenas Vilas do tipo T2, que foram possíveis após a Câmara Municipal de Borba ter disponibilizado um espaço na envolvente do Convento, o que perfaz um total de 100 unidades de alojamento. As obras vão iniciar entre abril e maio de 2022.
O objetivo deste projeto é reabilitar a infraestrutura, tentando preservar ao máximo as suas características do seculo XVII, sendo que o público-alvo desta unidade turística são as famílias.
O novo alojamento turístico irá ter vários espaços de atividades, entre eles um espaço destinado para as crianças. Entre os vários espaços de lazer, serão construídos um campo de ténis e de padel; um espaço de convívio, bem como SPA, piscina e zonas verdes.
No que diz respeito às novas construções que serão feitas, estas passam pelo trabalho paisagístico, com árvores, arbustos e espelhos de água, para que confiram uma vivência mais acolhedora e mais rica.
A futura unidade hoteleira vai possibilitar a criação de 150 postos de trabalho.
Relembre que o Convento das Servas de Cristo, pertencente à Ordem de Santa Clara, foi construído durante o séc. XVII, tendo as obras decorrido entre 1604 e 1644. Este é um dos exemplos de arquitectura regional, com uma estrutura simples e volumes bastante suaves e discretos, conhecida em Portugal por “estilo chão”, conforme divulgado pelo visitportugal.
A igreja, com entrada lateral característica das ordens de clausura, é interessante pela decoração do seu interior. De nave única, as paredes laterais são revestidas por painéis de azulejo de padrão, do séc. XVII, e a abóbada por pinturas a fresco. De notar, por cima de uma das ombreiras, a existência de uma cartela em mármore, de estilo de transição barroco-rococó, com um louvor de uma das abadessas, D. Isabel da Natividade, e o escudo real de D. João V. No altar-mor, que se situa num plano bastante superior ao resto da igreja, podemos ver um interessante retábulo maneirista, em que a talha se coordena harmoniosamente com telas pintadas. Repare-se na forma curiosa como as colunas terminam em figuras femininas.
Nas dependências conventuais, encontramos o claustro, um dos mais vastos do país. Anexada à igreja, podemos ver a Capela da Ordem Terceira de São Francisco, (sécs. XVII/XVIII) com entrada pelo exterior.