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EXCLUSIVO

ARTIGO DE OPINIÃO: Cirurgia Estética em Tempos de Pandemia, pelo cirurgião Luís Anjinho

Revista de Imprensa 20 Abr. 2021

Cirurgia Estética em Tempos de Pandemia - Luís Anjinho, médico especialista em Cirurgia Plástica

Ao fim de um ano de pandemia, segundo o Dr. Luís Anjinho, ‘’não mudou grande coisa’’. O especialista afirma que houve alguma retração, sendo que as pessoas estavam em confinamento, e ‘’agora, com o desconfinamento, tem havido um aumento da procura dos cuidados de cirurgia plástica’’.

No início do confinamento causado pela pandemia, os hospitais estavam proibidos de fazer estas cirurgias não urgentes e, logo que se deu o desconfinamento, o especialista afirma que a procura aumentou, acrescentando que ‘’durante o confinamento, outros valores mais altos se levantavam’’.

Quanto à questão de as pessoas procurarem por cirurgia após o confinamento, se se trata do aumento do peso ou se da parte do rosto, nomeadamente a dos olhos, que é mais exposta, o especialista sublinha que ‘’não se trata de estar mais exposta ou não, porque tem a ver muito com a imagem da própria pessoa, tanto que nos países árabes as pessoas que usam burca também fazem cirurgias plásticas, cirurgias estéticas’’.

O médico acrescenta ainda que ‘’a cirurgia plástica não serve para a perda de peso; a perda de peso tem a ver com a ingestão calórica, o exercício físico’’. O doutor explica que a cirurgia plástica pode ajudar na modelação corporal, ‘’não necessariamente para a perda de peso’’.

O doutor Luís Anjinho, apesar de ser de origem alentejana, afirma que não são muitos os alentejanos que o procuram, uma vez que se opera mais pessoas de grandes áreas metropolitanas.

Há uns anos atrás havia um preconceito de as pessoas assumirem uma cirurgia, uma remodelação estética. Quanto à esta questão, o especialista afirma que ‘’é evidente que a sociedade mudou muito. E penso que mudou para melhor’’.

‘’A cirurgia estética hoje, no fundo, acompanha o grau de desenvolvimento de um povo’’, acrescenta o doutor, indicando que haverá países onde ‘’a fome e a miséria é tão grande que ninguém pensa em cirurgia plástica’’.

‘’Quando um país se desenvolve, como nós nos países ocidentais, as pessoas começam a olhar um pouco para dentro delas próprias, e à procura de mais qualquer coisa’’ – comenta o médico.

Em relação ao custo dos tratamentos, sendo que há o conceito de se tratar de um valor muito alto, conceito esse que tem vindo a esbater-se, segundo o doutor, as cirurgias não são caras, referindo que ‘’o valor é muitas vezes relativo. As pessoas quando têm algum dinheiro gastam-no a onde quiserem. Há quem compre um automóvel, quem faça uma cirurgia, quem queira passear… No fundo, terá um preço justo’’.

Pode haver uma data de tratamentos, como o botox, a celulite, mas a ‘’cirurgia por definição é sempre invasiva’’, explica o doutor. ‘’Nós devemos ter sempre presente se o prognóstico é positivo, ou seja, se pensamos honestamente que vai haver um grau de melhoria, nunca a 100%, porque isso não existe’’, relembra o médico.

Em relação aos seus pacientes, o médico comenta que ‘’hoje em dia as pessoas têm muita informação, principalmente as pessoas mais jovens; o que não há dúvida é que, às vezes, essa informação está errada, e, outras vezes, as pessoas estão convencidas de que tudo se faz, que fazemos tudo aquilo que elas querem, e não é bem assim’’.