Comentário semanal do eurodeputado Carlos Zorrinho aos microfones da Rádio Campanário (c/som)

Revista de Imprensa 23 Jun. 2020

O eurodeputado Carlos Zorrinho, eleito pelo PS, no seu comentário desta terça-feira, 23 de junho, abordou aos microfones da Rádio Campanário a situação da pandemia COVID-19 em Portugal, a dívida pública e o Orçamento Suplementar proposto pelo Governo.

Questionado se estamos perante uma segunda vaga, o eurodeputado referiu que “segundo os especialistas, não estamos ainda perante uma segunda vaga e nem sabemos se vai haver. O que temos de nos habituar é a conviver com o vírus durante os próximos meses, enquanto não houver uma vacina ou um antiviral muito forte. Temos de conviver com o vírus e ter o máximo cuidado”. Para Carlos Zorrinho, “o que aconteceu em Portugal nos últimos 15 dias não foi uma propagação comunitária do vírus. O que aconteceu em Reguengos de Monsaraz são focos, tal como aconteceu em Lagos e em Lisboa”.

O socialista afirmou que “temos de fazer um apelo aos mais jovens. Eu compreendo, estão na flor da adolescência, mas isto é muito complexo para eles. Mas põem em risco os mais velhos”.

Sobre a possibilidade de Portugal ser excluído da lista de países considerado seguros pelo Reino Unido, Carlos Zorrinho referiu que “tem a ver com a própria gestão interna do país. Independente de tudo isto não nos podemos pôr a jeito. E o número de óbitos em Portugal tem sido reduzido, a resposta do Serviço [Nacional] de Saúde tem sido extraordinária, somos dos países que tem feito mais testes, mas há algo que é mau, que temos muitos casos. Mas temos de fazer um esforço coletivo e isso não se faz com decretos, é cada um de nós e as nossas atividades. É um esforço coletivo que tem de se fazer”. Questionado se houve uma abertura excessiva, o socialista frisou que “tem de haver sempre um equilíbrio entre aquilo que são as condições sanitárias e aquilo que é a resposta social, económica e a própria resposta mental. O país desconfinou todo. O que aconteceu e que foi grave foram ações ilegais como a festa no Algarve”.

Relativamente às festas ilegais, que têm sido realizadas em plena pandemia, o eurodeputado evidenciou que “nalgumas zonas passará a haver multas e tem havido um grande apelo às famílias, aos professores e aos pais para falarem e tentarem consciencializar esses jovens e mostrar que estão a prejudicar todos os outros e eles próprios. E também tem de se passar a mensagem de que os próprios jovens estão a ser contaminados e a correrem riscos e, portanto, esperemos que esta lição comece rapidamente a aprender-se”.

Sobre o agravamento da dívida pública e questionado se isso aconteceu por causa da pandemia, Carlos Zorrinho referiu que “obviamente que as medidas que foram tomadas, decorrem das respostas à pandemia e essas medidas exigem muito investimento público. Foi preciso pagar os lay-offs, as moratórias, e todo o investimento que foi necessário fazer no aumento das respostas no setor da saúde. Houve menos receita, para aliviar as famílias portuguesas, houve mais despesa para responder às famílias portuguesas. Por um lado, o agravamento teve a ver com a pandemia, mas por outro não podemos perder a indicação do seguinte, o que é importante na dívida pública não é valor absoluto, o que é importante é a percentagem do PIB. Essa no início deste Governo era de mais de 1,3 do PIB e veio a descer sempre para valores abaixo de 1,2. Se houve um aumento, teve a ver com a pandemia, mas pode haver um aumento da dívida, mas sendo o nosso produto maior, essa dívida é menos significativa, o que é importante é a percentagem da dívida do PIB, que em Portugal ainda é elevada, 1,18/1,19. Agora é capaz de levantar esses números, mas depois vamos recuperar”.

Relativamente ao que o Orçamento Suplementar pode trazer para o resto do ano, o eurodeputado socialista frisou que “é bom referir que nunca na história da democracia tinham acontecido algumas coisas que aconteceram, nunca tínhamos tido um superavit e tivemos. Nunca tínhamos tido um Governo completo que fizesse um orçamento retificativo e esta situação da pandemia é anormal e só isso é que pode justificar termos orçamento suplementar. Há um ponto aqui que é uma incerteza e isso as pessoas têm de ter presente, que é uma coisa é fazer um orçamento para as nossas casas, outra coisa é um orçamento para um país. É um orçamento que tem muitas variáveis e muitas incertezas e neste momento permite minimizar, por exemplo, o desaparecimento de empresas ou as pessoas sem rendimento”.

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