Comentário semanal do eurodeputado Carlos Zorrinho aos microfones da Rádio Campanário (c/som)

Revista de Imprensa 29 Set. 2020

O eurodeputado Carlos Zorrinho, eleito pelo PS, no seu comentário desta terça-feira, 22 de setembro, abordou aos microfones da Rádio Campanário a questão da falta de professores, uma possível crise interna devido ao OE 2021, o facto dos Estados Unidos quererem afastar Portugal da China, os números da pandemia em Portugal e a falta de médicos no país.

Sobre a falta de professores nas escolas e o esgotamento das reservas de recrutamento, Carlos Zorrinho afirma que “é óbvio que o Governo e também as autarquias vão ter de encontrar soluções de curto prazo. O problema dos professores é um problema estrutural que há muito tempo todos estávamos preparados para que viesse a acontecer, o que a pandemia fez foi acelerar”.

O eurodeputado relembra que “quando era estudante um terço dos estudantes faziam cursos de ensino, a certa altura, quer a profissão de professor se tornou menos atrativa, quer os quadros começaram a ficar cheios e começou a não se formar professores e agora que é necessário tê-los, temos mais dificuldade. Mais uma vez com o esforço de todos vamos conseguir resolver, mas é um problema estrutural e espero que seja mais um problema que tendo sido mostrado por esta crise que estamos a viver, que tenha uma resposta forte e que não seja apenas “paninhos quentes”, mas que seja mesmo para resolver o problema”.

Sobre uma possível crise interna devido às negociações do Orçamento de Estado (OE) para 2021, acha “que seria incompreensível e nenhum português entenderia que no contexto em que estamos a viver houvesse uma crise orçamental e uma crise política na aprovação do OE para 2021”.

O socialista explica que “se tudo correr como se espera, quando se tiver de aprovar o OE de 2022 que as coisas estejam mais normalizadas e aí será altura dos vários partidos, dos vários reforços sociais fazerem um apreciação, verificarem o que correu bem, o que correu menos bem e aí jogarem as suas cartadas políticas. O tempo para fazer essa avaliação é, no meu ponto de vista, o OE para 2022 e não para 2021. Seria verdadeiramente trágico se não houvesse a capacidade para compreender que o OE para 2021 tem de ser negociação, com democracia, mas que una os portugueses e não que os separe”.

Relativamente ao facto de os Estados Unidos pressionarem Portugal para que este se afaste da China, relativamente ao 5G, recorda a resposta do Ministro dos Negócios Estrangeiros e do Presidente da República que referiram que “quem toma decisões por Portugal é Portugal”.

Carlos Zorrinho considera “a entrevista do Senhor Embaixador dos Estados Unidos muito inoportuna (…) e a verdade é que nem os Estados Unidos, nem nenhum país tem o direito de interferir dessa forma na soberania de outro país. Muito menos na circunstância em que os Estados Unidos se tornaram uma potência protecionista, em que o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diz que a América é primeiro, portanto, primeiro nós e depois os outros e acho que Portugal tem de, em cada momento, fazer a sua própria gestão. É óbvio que não podemos ser ingénuos. Se a Huawei ficar com parte da nossa rede 5G claro que terá de haver formas de monitorização conjunta, terá de haver cuidados acrescidos, mas também terá de haver esses cuidados se for uma companhia americana, russa ou coreana. Ou seja, hoje em dia a energia e o digital são recursos estratégicos para a soberania de um país. Portugal em cada momento tem de tomar decisões diplomáticas, tendo consciência que as relações com outros países são muito importantes, mas não aceitamos ordens de ninguém”.

Quanto aos números da pandemia em Portugal e o elogio de Ursula Von Der Leyen ao modelo português no combate à COVID-19, o eurodeputado relembra que “não há apenas um número, é evidente que há um número que é preocupante, o dos infetados diariamente. Mas depois temos outros números e esses são números que comparam muito bem a capacidade de resposta do nosso SNS. (…) Em muitos países do mundo não há mais casos porque não há mais testagem ou porque não há mais controlo de saúde e, portanto, o nosso modelo é um modelo que funcionou e, sobretudo, também funcionou porque houve uma convergência em torno de um esforço da sociedade portuguesa para conter esta ameaça”.

Por fim, sobre a falta de médicos no país em que o Primeiro-Ministro refere que há médicos suficientes, mas Catarina Martins desmente esses números, Carlos Zorrinho, esclarece que “segundo os números da Organização Mundial de Saúde somos dos países do mundo que tem maior número de médicos por habitante, não estão é no sítio certo. O nosso problema não é a falta de médicos, o nosso problema é que os médicos estão muito concentrados nalgumas zonas do país e nalgumas especialidades e noutras temos falta. Até temos médicos a mais, mas devido à diferença de remunerações temos, infelizmente, perdido muitos médicos e muitos enfermeiros que trabalham noutros países europeus, também temos conseguido captar médicos de várias zonas do globo, mas a verdade é que temos médicos a mais e ao mesmo tempo em muitos sítios faltam médicos, mais uma questão estrutural que temos por resolver”.

O eurodeputado afirma que “temos de tornar o serviço público mais atrativo. Ainda há muita gente que fica no serviço público, mas temos de o tornar mais atrativo e temos, pouco a pouco, de ir aproximando a remuneração não só dos médicos, mas dos nossos jovens altamente qualificados daquilo que são as remunerações médias da União Europeia porque com a pandemia nota-se menos, mas em fevereiro ou março de 2019 em muitos setores tínhamos um grave problema de técnicos qualificados e tínhamos muitos a saírem de Portugal. A nova geração altamente qualificada é menos remunerada do que foi a minha geração altamente qualificada. Não é culpa do Governo, é resultado da globalização, é resultado do nosso atraso em termos de alguma formação, porque temos uma sociedade muito divida com gente muito qualificada e depois gente que não atingiu qualificações que permitem fazer subir o patamar da nossa indústria. Estávamos desde 2015 a fazer uma recuperação extraordinária e acho que agora vamos voltar a fazer essa recuperação. Talvez para 2025 já se note bem e talvez em 2030 estejamos alinhados com a média de desenvolvimento da parceria”.

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