05 Dez. 2021
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Comentário semanal do eurodeputado José Gusmão aos microfones da Rádio Campanário (c/som)

Revista de Imprensa 19 Nov. 2021

Na Revista de Imprensa desta sexta-feira, dia 19 de novembro, contámos com o comentário do eurodeputado José Gusmão do Bloco de Esquerda. Onde comentou a subida de casos de covid-19, as carências do SNS e as propostas para melhoria dos serviços.

Sobre o número de contágios, “penso que existem contextos bastante diferentes e que devem ser analisados de forma separada”, dando como exemplo a Bélgica, onde “existe um problema mais complicado do que o português, porque não só está a aumentar o número de internamentos como está a aumentar o número de mortes”.

O bloquista aponta como um dos motivos o facto de “nós termos um SNS muito melhor estruturado do que o sistema belga, que assenta em seguros privados e prestadores” e “talvez também por isso as taxas de vacinação são mais baixas do que em Portugal”.

Nessa ótica, José Gusmão diz que nesta faze, de desconfinamento, “é preciso olhar menos para os casos e mais para os internamentos e as mortes”, uma vez “todos sabemos que com o desconfinamento o número de casos iria aumentar de forma bastante pronunciada”. Contudo “o que é preciso monitorizar agora de forma mais atenta são os internamentos para avaliar a pressão que começa a recair sobre o SNS, e os óbitos”, onde “desse ponto de vista, continuamos em mínimos desde o início da pandemia”.

Por outro lado, “Portugal é um excelente exemplo do ponto de vista da vacinação”, uma análise corroborada pelos “dados da Agência Europeia do Medicamento, que mostram que embora a maior parte das pessoas estejam vacinadas, a maior parte dos internamentos são de pessoas que não foram vacinadas”.

Assim sendo, no nosso caso “os apelos à vacinação em Portugal devem manter-se, embora tenhamos uma taxa de vacinação muito elevada, a mais elevada do mundo, há pessoas que ainda não estão vacinadas”. E ao mesmo tempo é preciso continuar a “monitorizar as variáveis decisivas, que são os internamentos e os óbitos” antes que “comecem a criar uma pressão insuportável sobre o SNS”.

Questionado sobre a falta de recursos médicos e de enfermeiros nos hospitais, como é o caso de Portalegre, o deputado do BE diz que “uma das coisas em que temos insistido mais é na questão dos profissionais de saúde”, afirmando que “já não há hoje explicação para que não se tomem as medidas necessárias para a contratação permanente de médicos e enfermeiros”.

Uma vez que “nós temos carências enormes ao nível dos médicos”, algo que “já vem de trás, de carências ao nível dos médicos de família, onde nós temos 1 milhão de portugueses sem médico de família, quando era um dos compromissos do Primeiro Ministro, em 2015 e até 2019, ter cobertura completa de Médico de Família”.

Além das deficiências em diversas especialidades, José Gusmão destaca também que “temos um enorme problema ao nível dos enfermeiros”, onde “nós temos um rácio de enfermeiros por médico muito abaixo da média da OCDE, e isso tem consequências na capacidade de responder a situações como a pandemia”.

Sobre a proposta do PSD, em mudar a forma de financiamento do SNS, o bloquista diz que “isso não acrescenta nada ao que a direita tem proposto”, que “defende um modelo de privatização do SNS e essa proposta inscreve-se nesse espírito”. Salientando que “o grande problema que temos na forma como este governo enfrentou esta pandemia, é que ela assentou na contratação de profissionais de saúde em condições de precariedade extrema”.

Porém, no que diz respeito aos meios para a contratação, refere que “as contas públicas não podem ser desculpa”, uma vez que “o Estado está a gastar mais dinheiro para contratar privados, empresas de trabalho temporário, para suprir as carências de pessoal do SNS, do que gastaria contratando esses profissionais”.

Desta forma, “nós precisamos de uma política que aposte na contratação de profissionais de saúde de forma permanente, e não com contratos provisórios ou em outsourcing, que são muito pouco atrativos e fazem com os profissionais de saúde vão fugindo para o privado enfraquecendo ainda mais os serviços do SNS”.

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