Comentário semanal do eurodeputado Nuno Melo aos microfones da Rádio Campanário (C/SOM)

Revista de Imprensa 24 Set. 2020

O eurodeputado Nuno Melo, eleito pelo CDS-PP, no seu comentário desta quinta-feira, dia 24 de setembro, abordou aos microfones da Rádio Campanário a proposta do CDS para a criação de um “vale farmácia” para idosos, no âmbito da discussão do Orçamento do Estado para 2021, as Eleições Autárquicas do próximo ano e as recentes sondagens que colocam o CDS em último lugar.

Francisco Rodrigues dos Santos, presidente do CDS-PP anunciou que o partido vai apresentar, no âmbito da discussão do Orçamento do Estado para o próximo ano, uma proposta para a criação de um “vale farmácia” para ajudar os idosos a adquirirem medicamentos. Sobre este tema Nuno Melo sublinha que “nesta fase de pandemia, nós percebemos que os idosos são realmente os mais sacrificados, porque são os que vivem com maior risco para a sua saúde e para a sua própria vida”.

“A maioria dos nossos idosos têm poucos recursos e reformas baixíssimas e enquanto que outras pessoas podem, sem medicamentos, eventualmente superar muitos dos seus problemas durante um curto espaço de tempo, isso não se sucede com os idosos que, digamos, no fim de ciclo são obrigados, em regra, a tomar medicamentos para, por exemplo, a hipertensão, para o colesterol. Há um conjunto de medicamentos que forçosamente a generalidade dos anciãos tomam e são muito caros. São medidas complementares e tudo o que venha para ajudar os idosos parece-me bem”, sublinha o centrista.

Sobre as eleições autárquicas de 2021, o PSD e CDS já estão a trabalhar em possíveis coligações. De acordo com o Diário de Notícias, os centristas, com baixa implantação autárquica, querem o maior número de coligações possível, mas para o conseguirem haverá, apurou o DN, uma condição na mesa: não voltarem a apoiar a reeleição de Rui Moreira no Porto, como aconteceu nas últimas duas eleições para o poder local. Nuno Melo começa por frisar que “não faço parte da Direção Nacional do CDS”, mas na sua opinião pode ser apenas “uma medida pré-negocial, uma imposição que o PSD faz para celebrar novas coligações”.

O eurodeputado recorda que “o PSD e o CDS venceram o maior número de autarquias em Portugal, porque juntaram esforços. E o facto de as sondagens estarem baixas do ponto de vista nacional, não significa que o CDS não tenha representação autárquica relevante. Eu próprio sou presidente da Assembleia Municipal de Vila Nova de Famalicão, cuja autarquia é governada por uma coligação PSD-CDS, que derrotou 20 anos de liderança do PS, que só acabou quando PSD e CDS se uniram”.

“Eu suponho que o PSD não quererá perder Câmaras Municipais onde atualmente tem o executivo, a par de vereadores do CDS, e deverá, creio eu, estar a conjeturar sobre novas coligações. Como não sou da Direção Nacional do CDS, não posso antecipar aquilo que será uma decisão do órgão e é uma matéria muito sensível”, refere o centrista.

Questionado sobre a sua opinião sobre esta matéria, Nuno Melo opta por não divulgar, justificando que “poderia ser interpretado como querendo condicionar a Direção Nacional do CDS, numa decisão que é realmente estratégica e fundamental para as próximas eleições autárquicas”.

O eurodeputado lembra ainda que Rui Rio foi presidente da Câmara Municipal do Porto, com o apoio do PSD e CDS e que por isso “conhece muito bem as nuances das coligações entre PSD e CDS. Cabe à Direção Nacional do CDS essa decisão, mas recordo de uma coisa muito importante: na Direção Nacional do CDS estão duas pessoas que integram a Câmara Municipal do Porto, o que ajuda a compreender a dificuldade e sensibilidade desta decisão”.

De acordo com uma sondagem da Aximage para o JN e TSF publicada no passado domingo (dia 20), o CDS consegue apenas 1,1% de intenções de voto, resultado que coloca o partido em último lugar, com uma percentagem inferior à registada em 2019 por qualquer dos partidos que então conseguiram eleger deputados. Face a esta previsão, Nuno Melo deixa um conselho à Direção do CDS: “que se concentre mais na luta externa, sabendo que o adversário do CDS são as esquerdas, não promovendo nem comprando conflitos internos. Neste momento, cada pessoa do CDS é absolutamente fundamental para superar as dificuldades. O CDS perderá muito se apenas se concentrar em guerras internas. As dificuldades existem, tem que se tentar perceber o motivo, o que lhe deu causa, superar essas dificuldades, independentemente das conjunturas mais favoráveis ou mais desfavoráveis, lutar e acreditar”.

Questionado se os novos partidos à direita roubaram parte do eleitorado do CDS, o eurodeputado esclarece que “há uma multiplicidade de razões. Haverá certamente uma questão que tem a ver com a mensagem, mas há também uma conjuntura muito particular da ascensão de novos partidos à direita que, com maiores ou menores percentagens, rivalizam eleitoralmente com o CDS. Os votos não são «elásticos», o milagre da multiplicação dos votos não existe”.

“Por isso é que tenho dito que tive um extraordinário resultado nas Eleições Europeias, em que o CDS obteve um resultado superior a 6%. Em 2009, tinha tido um resultado de 8,4% e nesse ano, o resultado obtido foi melhor do que o resultado obtido por Paulo Portas, quando foi Cabeça-de-Lista às Europeias e também de Manuel Monteiro, quando também foi o cabeça-de-lista. Em 2019, interpretei o resultado obtido pelo CDS como mau, mas se pensarmos bem, já na altura combatíamos uma multiplicidade de partidos à direita e o CDS perdeu apenas um qualquer coisa porcento, ou seja, esses partidos apenas conseguiram tirar um qualquer coisa porcento nas Eleições Europeias, o que significa também que assentando a mensagem essencial do CDS, de um partido democrático de direita, enquanto que o PSD se afirmava como um partido de centro, fixei um eleitorado fixo do CDS superior a 6%. Isto significa também que querer ser o chamado casual party, um partido que disputa ao centro com um PSD, que é o partido mais forte, dá margem a partidos como o CHEGA e outros para dizerem aquilo que à direita não tem sido muito dito, mas que muito eleitorado diz mas ele diz o que nós pensamos, e isso esvazia eleitoralmente muito o CDS, porque à sua esquerda tem o PSD muito forte ao centro, e à direita aparecem novos partidos como o Iniciativa Liberal e o CHEGA”.

Para o centrista, os novos partidos políticos à direita “retiram parte do nosso eleitorado, mas não todo. Recordo que o CDS, tradicionalmente, convive com três doutrinas – conservadores, liberais e democratas-cristãos. Quando estes partidos surgem e quando no CDS não se distingue muito bem a mensagem ou há um ciclo de mudança de liderança e tudo ainda é menos nítido, há um eleitorado que tende a procurar novas realidades. Os eleitores não têm nenhum dever de fidelidade com um partido, ao contrário dos militantes”.

Nuno Melo termina dizendo que “o CDS ainda tem que acertar o passo e encontrar a mensagem certa, e acreditar em si”, pois “o CDS deu muito à democracia portuguesa e as pessoas não podem baixar os braços face às dificuldades”.

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