27 Set. 2022
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Alqueva

“A fase positiva da execução do Alqueva é bastante superior aos impatos negativos” diz Presidente da CAP(c/som)

Regional Escrito por  11 Fev. 2022

O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Eduardo Oliveira e Sousa, declarou recentemente, à margem de uma conferência realizada na Vidigueira, sobre agricultura e os impatos que a falta de chuva está a provocar nesta atividade, que o Alqueva é a “salvação” do Alentejo.

A Rádio Campanário falou com o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) que a propósito das mais valias da Barragem de Alqueva referiu felicitei o Alentejo, porque faz 20 anos neste ano que fecharam as comportas da barragem e que rapidamente encheu graças a DEUS.”

Para Eduardo Oliveira e Sousa “o conceito da Barragem de Alqueva de ser um grande reservatório que pode dividir a sua ação por várias atividades económicas e abastecer toda uma rede que está associada a esse grande reservatório promove uma segurança de abastecimento de água a uma vasta região” sublinhando ainda que “ através dela foram criadas condições de alguma estabilidade e de previsibilidade que permite avançar para a instalação de um conjunto vasto de culturas e também  desenvolver toda uma região com base na segurança do abastecimento de água.”

O Presidente da CAP destaca ainda que “a agricultura é um setor primário, depois desta virá a indústria e também os serviços, ou seja, há um desenvolvimento regional agrupado que traz um benefício muito grande para a região”. Para este responsável, tal facto “fixa pessoas no território, junta-lhe valor e promove o seu desenvolvimento.”

Eduardo Sousa considera igualmente “que a fase positiva da execução da Barragem de Alqueva é bastante superior aos impactos negativos que existem” não deixando contudo de salientar que “todas as atividades têm efeitos secundários , todas as decisões transportam um lado positivo e um lado negativo mas numa perspetiva de abandono do território a que aquela região estava condenada eu creio que os resultados e os benefícios são significativamente superiores aos possíveis inconvenientes ou prejuízos que uma obra como aquela pode ter na região onde está implementada.”

Questionado se os impatos menos positivos que refere dizem respeito aos impatos ambientais, nomeadamente provocados pelas culturas intensivas, o Presidente da CAP  responde “não necessariamente” justificando “ o impato de culturas intensivas ,  seguindo o seu conceito de forma rigorosa, trata-se de uma forma de utilizar melhor as duas coisas: os recursos e os bens.”

Na sua opinião, “a cultura intensiva tem uma carga negativa como todas as atividades têm mas estar a considerar uma menor valia da cultura por ser praticada num modo intensivo é um erro e um mito que se está a criar e que convém ser desmistificado.”

Considera ainda que “devem ser tomas as medidas necessárias para minimizar o impato da instalação da cultura independentemente do modo em que ela é cultivada” referenciando a título exemplificativo que  “não é  aceitável a implementação de culturas, sejam elas intensivas ou não, a meia dúzia de metros das pessoas porque a partir do momento que aquela paisagem passou a ser utilizada de uma forma cultivada , em que há máquinas, em que há nutrientes, aplicação de fitofármacos, entre outras coisas há que saber deixar uma determinada faixa em que essas situações não se verifiquem.”

Questionado se, na sua opinião, a mesma cultura pode ser feita, mas de forma a que não esgote o solo conforme alguns ambientalistas reclamam, Eduardo Sousa salienta “nenhuma atividade agrícola tem cabimento se ela puser em risco o principal bem que tem a seu cargo e que é a preservação do solo “ indicando como solução “puxar da técnica que já existe, puxar da Agronomia e dizer: essa cultura tem cabimento ser instalada aqui mas para salvaguardar o solo, a água e outras coisas tem que ser feito desta maneira.”

“Se não quisermos aprender podemos entrar num processo de fazer as coisas mal feitas, e é isso que temos de combater” acrescentou ainda.

O Presidente da CAP considera que, durante estes 20 anos de Alqueva, a articulação entre a universidade e a ciência” podia ser  melhor e deve ser feita melhor e há sempre tempo para emendar.”

“Há que chamar a atenção para o erro que está identificado e tentar corrigi-lo, mas não defendê-lo porque isso é um erro sobre outro erro e é o que alimenta aqueles que querem combater o Alqueva no seu conjunto ”sublinhou o representante da CAP.

O Presidente da CAP não tem dúvidas “o modelo de Alqueva provou que o modelo está correto e por isso, precisamos de pegar neste conceito e levá-lo para outras regiões do país para criar o desenvolvimento integrado.”

O responsável pela Confederação adiantou ainda à RC “numa perspetiva de alterações climáticas a agravarem-se nós precisamos de apurar o conceito, não insistir no não querer aceitar o conceito.”

O Presidente da CAP salienta também, a este propósito, que “alguns erros foram cometidos nessa matéria assim como outros erros, de outra natureza, como excessos que foram praticados na instalação ou preparação dos terrenos ou abusos abusaram de alguns equipamentos por parte de empresários, assim como destruição de alguns elementos de caráter arqueológico.”

Para o Presidente da Confederação “nada disso é necessário fazer para levar por diante aquilo que as pessoas pretendem fazer que é intensificar e tirar partido duma ferramenta”

Eduardo Sousa termina reiterando que “Alqueva no seu conjunto constitui uma ferramenta para entrar num processo de progresso e de desenvolvimento e por isso essas coisas eram evitáveis e continuam a ser, devendo ser condenados e punidos os responsáveis quando ultrapassam determinadas linhas vermelhas.”

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