28 Out. 2021
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André Tomé, o arqueólogo português estuda a Síria de há 2300 anos a partir do Alentejo

André Tomé, o arqueólogo português estuda a Síria de há 2300 anos a partir do Alentejo Fotografia: © DR
Regional 30 Mar. 2021

André Tomé está há três anos a criar raízes no Sul de Portugal, mas continua a reflectir sobre outras geografias. Para já, voltar ao terreno no Médio Oriente não é possível, mas os sítios que escavou só ficam longe no mapa.

O que André Tomé tem feito nos últimos três anos é olhar para o Oriente a partir do Alentejo, dividindo o seu tempo entre a análise e interpretação dos dados recolhidos em escavações na Síria e no Iraque e o trabalho nas ruas de Beja e nos caminhos pedestres nos arredores, sempre a pensar em formas de valorizar a paisagem e o que há de construído e de imaterial no património cultural da região.

O trabalho deste arqueólogo é agora tema para uma reportagem o jornal Público, que salienta o trabalho desenvolvido no estudo do Médio Oriente a partir do Alentejo.

O Arqueólogo André Tomé coordena desde 2017 o Centro UNESCO para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial – Beja. Foi Assistente convidado da Universidade de Coimbra entre 2011 e 2017 leccionando no curso de Arqueologia e História. É doutorando em arqueologia pela mesma Universidade com o tema do urbanismo na Antiga Mesopotâmica. Tem como principal foco a análise de aspectos espaciais nas cidades do terceiro e segundo milénios nessa região, procurando perceber a aplicabilidade de conceitos como o de vigilância (surveillance) e controlo do espaço.  
Ainda no âmbito dos seus trabalhos no Próximo Oriente co-dirige o projecto internacional arqueológico de Kani Shaie, no Curdistão Iraquiano desde 2012.
 

Para além do actual projecto no Iraque, participou também em trabalhos arqueológicos em Portugal, Síria e Angola e é membro ativo do Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Património.

No âmbito do seu trabalho como coordenador do Centro UNESCO para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial – Beja tem intervido na área da salvaguarda de práticas e saberes tradicionais, em particular no Baixo Alentejo, levando a cabo várias iniciativas de registo e promoção do património musical alentejano, bem como da memória das populações rurais em vários domínios. 

André Tomé, ganhou recentemente uma bolsa do Harvard Museum of the Ancient Near East, nos Estados Unidos da América, com o projeto de trabalho “Tell Beydar (1992-2010) – A Seleucid-Parthian Settlement in Northeastern Syria”, coordenado pela professora Maria da Conceição Lopes, conforme noticia a Universidade de Coimbra.

Com a duração de dois anos, a bolsa foi obtida num concurso internacional no âmbito de um programa que financia estudos e publicações arqueológicas – White Levy Program for Archaeological Publications –, gerido pela Universidade de Harvard.

O trabalho distinguindo retoma um importante projeto da Universidade de Coimbra que decorreu na Síria entre 2008 e 2010. Na altura, a equipa de Maria da Conceição Lopes participou ativamente nos trabalhos de investigação no terreno, criando importantes sinergias e a possibilidade de, a longo prazo, estudar um importante acervo de um período compreendido entre o século III a.C. e o século I d.C., ainda pouco conhecido, contrastando com o que se conhece da cidade do III milénio.

«Com o apoio do CEAACP, decidimos candidatar o estudo e a publicação de um conjunto de dados novos referentes à época helenística de Tell Beydar, um sítio arqueológico com mais de cinco mil anos que é essencialmente conhecido por ser das primeiras grandes cidades da Alta Mesopotâmia, onde surgiram, por exemplo, algumas das primeiras tabuinhas com escrita cuneiforme encontradas na Síria», descreve André Tomé.

Mais especificamente, «pretendemos finalizar os trabalhos iniciados e trazer a discussão aquele que é um dos acervos mais importantes para o conhecimento desta época. Perceber os processos de hibridização entre comunidades indígenas e as novas influências gregas, ou qual a forma de organização destes territórios e da sua exploração nos séculos após as conquistas de Alexandre o Grande, são algumas questões a que procuraremos responder», clarifica o investigador do CEAACP.

Aos trabalhos de investigação foi atribuída uma bolsa no valor de 30 mil dólares. A publicação que daí resultará será assegurada pelo Centro Europeu para os Estudos da Alta Mesopotâmia (ECUMS).

Fontes - "Público", "noticias.uc.pt" e "ceaacp.uc.pt"

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