Alentejo

COVID-19: Ceifa espanhola no Alentejo pode estar comprometida

Regional 08 Abr. 2020

Devido à pandemia do COVID-19 e às medidas tomadas devido ao surto, a agricultura no Alentejo corre o risco de enfrentar falta de mão-de-obra. A debulha deverá entrar no terreno dentro de dois meses com maquinaria espanhola, pelo que contratação de colaboradores já deveria estar em marcha. Mas por causa do fecho das fronteiras não há garantias das ceifeiras chegarem a tempo a solo português.

De acordo com a notícia da TSF, os produtores estão preocupados, visto que o tempo escasseia. Alguns já optaram por não plantar tomate, porque segundo eles, não terão acesso a trabalhadores estrangeiros para a época da apanha. Já os donos dos campos de trigo, cevada e aveia vão precisar da maquinaria espanhola para finais de maio.

"Não temos máquinas para fazer esses trabalhos cá", justifica João Paulo Calçudo, agricultor, que alerta para a necessidade das autoridades portuguesas abrirem um regime de exceção para os maquinistas espanhóis que trabalham em Portugal.

“As pessoas que tinham algumas máquinas venderam-nas e os espanhóis entram na parte da Extremadura (na raia espanhola), fazem a ceifa em Portugal e seguem para o Norte de Espanha. Tem que ser arranjada em solução", reclama o agricultor.

Apesar destas dificuldades devido à COVID-19, há quem consiga ter sucesso. O produtor Leonardo Lanternas empenhou-se em salvar os dez postos de trabalho da sua empresa. Abriu ao público a sua quinta localizada na Calçadinha, no concelho de Elvas, e passou a aceitar encomendas de hortaliça, frutas, legumes e ovos pelo Facebook. E até já tem parceiros nas áreas dos enchidos e queijos.

"Criámos normas de segurança, que temos ido sempre melhorando, respeitando o distanciamento entre as pessoas, e conseguimos conquistar os clientes", frisa o agricultor à TSF.

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