Escassez de chuva prejudica pastagens no Baixo Alentejo e Alentejo Litoral

Regional Escrito por  28 Dez. 2021

A escassa precipitação ocorrida durante os últimos três meses no Alentejo (principal região produtora de cereais de inverno, com cerca de 4/5 da produção total nacional), aliada à subida dos preços dos meios de produção, moderou as expectativas quanto a um potencial aumento da área semeada destas culturas (em reação à evolução das cotações do último ano nos mercados internacionais). 
Assim, e enquanto os produtores aguardam por condições agrometeorológicas mais favoráveis para a realização dos trabalhos de sementeira, as previsões apontam para a manutenção, face à campanha anterior, da superfície de cereais praganosos, nomeadamente de aveia, o de instalação mais precoce.

O mês de novembro caracterizou-se, em termos meteorológicos, como muito frio e muito seco. O valor da temperatura média do ar (11,2°C) foi o quarto mais baixo desde 2000, tendo apresentado uma anomalia de -1,2°C face à normal 1971-2000. Este desvio foi sobretudo consequência da ocorrência de temperaturas mínimas baixas (com valores inferiores à normal em quase todos os dias), em particular no interior Norte, litoral Centro e a sul do Tejo. Quanto à precipitação, o valor médio foi de 18,9mm, correspondendo a um desvio de -90,5mm face à normal 1971-2000, posicionando este novembro como o terceiro mais seco desde 1931.
No final de novembro, e de acordo com o índice meteorológico de seca PDSI3, observou-se um aumento significativo da seca meteorológica, quer em extensão, quer em intensidade. Cerca de 92% do território continental encontrava-se em seca meteorológica (28% no final de outubro), com as classes de seca moderada e severa a ocuparem mais de 30% do território continental (15% no final de outubro), predominantemente nos distritos de Lisboa, Setúbal, Beja e Faro. O teor de água no solo, em relação à capacidade de água utilizável pelas plantas, diminuiu face ao final de outubro, em particular nos distritos de Setúbal, Beja e Faro, onde em muitos locais já se atingiu o ponto de emurchecimento permanente.
Quanto às reservas hídricas, o volume de água armazenado nas albufeiras de Portugal continental encontrava-se nos 61% da capacidade total, valor inferior ao registado no final do mês anterior (64%) e ao valor médio de 1990/91 a 2020/21 (66%), mas superior ao valor registado em novembro de 2020 (60%).


Estas condições meteorológicas e hidrológicas permitiram a continuação/conclusão da realização das colheitas das culturas permanentes (essencialmente da azeitona, castanha e kiwi) sem quaisquer constrangimentos, bem como o início da poda dos pomares e vinhas. Registam-se, no entanto, atrasos nos trabalhos de instalação das culturas outono/invernais, em parte devido à falta de humidade dos solos, que também tem influenciado negativamente o desenvolvimento vegetativo dos prados, das pastagens e das culturas anuais já instaladas (maioritariamente aveia e consociações forrageiras). Não há registo de dificuldades no abeberamento dos efetivos pecuários, mas começam a surgir preocupações quanto à renovação das reservas de água necessárias para satisfazer as necessidades hídricas das culturas realizadas em regime de regadio.


O desenvolvimento dos prados, pastagens e culturas forrageiras de sequeiro continuou a apresentar heterogeneidade entre as regiões a norte e a sul do Tejo. No Norte e Centro a precipitação ocorrida em setembro e outubro, associada às temperaturas amenas, permitiu um reinício de ciclo normal, com um crescimento significativo de matéria verde que se manteve durante o mês de novembro. Por outro lado, no Ribatejo, Alentejo e Algarve, a persistência da situação de ausência de chuva dos últimos três meses (apenas interrompida nos últimos dias de outubro e, em alguns locais, nos dias 20 e 21 de novembro), agravada pela diminuição das temperaturas, conduziu a um fraco desenvolvimento vegetativo, com um cenário particularmente grave no Baixo Alentejo e Alentejo Litoral, onde são raras as pastagens já germinadas. A produção forrageira da campanha 2020/21 (entre 10% e 20% superior à anterior), permitiu um maior armazenamento de fenos e silagens, garantindo o reforço da suplementação da alimentação dos efetivos explorados em regime extensivo (necessário para fazer face à escassez de matéria verde nas pastagens).

Fonte: Boletim Mensal da Agricultura e Pescas 

 

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