09 Dez. 2021
Nuno Rocha
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UNIVERSIDADE DE EVORA

Estudo da UÉ aponta microorganismos na descoloração dos mármores e granitos

Estudo da UÉ aponta microorganismos na descoloração dos mármores e granitos Universidade de Évora
Regional 21 Out. 2021

Luís Dias, doutorando da Universidade de Évora (UÉ), investigou as causas da cor em rochas carbonatadas portuguesas, como o mármore e o calcário, e apurou a importância de microorganismos no fenómeno de descoloração deste tipo de Pedra Natural.

Segundo divulgado pela Universidade de Évora na sua página oficial, sendo um dos aspetos mais visíveis e importantes na Pedra Natural, a sua cor tem sido alvo de extensa investigação por parte da comunidade científica, porém, uma das lacunas, ao qual o estudo desenvolvido por Luís Carlos Rosmaninho Dias, no âmbito da sua tese de Doutoramento em Bioquímica na Universidade de Évora, procurou dar resposta, foi “a associação do fenómeno de descoloração da pedra com a existência de determinados microorganismos na mesma” revela.

O contributo destes organismos microscópicos no processo de alteração da cor “foi avaliado através da execução de ensaios de envelhecimento artificial, sob ambiente controlado e através de diferentes processos como ensaio colorimétrico e raio-x” confirma Luís Dias, realçando que os resultados alcançados “destacam o efeito da ação destes agentes microbianos nos processos de descoloração da pedra e na forma como este contribuem para o aceleramento da sua deterioração”.

Estes resultados foram obtidos com o contributo do Laboratório de Geociência, o Laboratório de Biotecnologia do Centro de Química e do Laboratório HERCULES da Universidade de Évora, dedicado, desde 2009, ao estudo e valorização do património cultural, com especial ênfase na integração de metodologias das ciências físicas e dos materiais em abordagens interdisciplinares, onde Luís Dias desenvolve atualmente a sua investigação.

Atendendo ao valor cultural e económico que a pedra natural representa a nível nacional, estudos como o levado a cabo por Luís Dias, permitem, através da transferência tecnológica e qualificação avançada, valorizar esta matéria-prima e promover o desenvolvimento desta indústria. O impacto que a indústria da extração e produção de Pedra Ornamental tem na economia nacional, tem despertado o interesse no estudo desta matéria prima, cada vez mais pertinente, dada a sua importância e relevância económica.

O aumento significativo em termos de produção encontra-se relacionado com a vasta tradição de vários anos no manuseamento deste tipo da Pedra, mas, sobretudo, com a elevada qualidade das nossas rochas carbonatadas (rochas formadas por modificações químicas e físicas sofridas pelos sedimentos desde a sua deposição até à consolidação e posterior transformação em rochas). A sua aplicação em diversos projetos de construção ou restauro de edifícios, bem como a sua importância na preservação de Património Cultural evidenciam a relevância do domínio das suas principais especificidades

Segundo dados da Associação Portuguesa dos Industriais de Mármores, Granitos e Ramos Afins (ASSIMAGRA), Portugal é, atualmente, um dos líderes ao nível mundial na produção de Pedra Natural. Os dados estatísticos mais recentes, relativos ao comércio da pedra natural, do mês de maio de 2021 comparados com o homólogo de 2020, mostram um continuo valor de crescimento, quer em volume de negócio (+21,92%), quer em quantidades exportadas (+28,95%).

A tese de Doutoramento de Luís Dias, foi orientada por Ana Teresa Caldeira, Professora do Departamento de Química, António José Candeias, Professor do mesmo departamento da academia alentejana, e de José Mirão, Professor do Departamento de Geociências, ambos investigadores do Laboratório HERCULES.

Recorde-se que a Universidade de Évora, através de diversos investigadores e departamentos, desenvolve investigação neste âmbito, como é exemplo o projeto INOVSTONE, os projetos CalciTec e ColourStone que apoiam a investigação científica aplicada coordenada por José Mirão, onde o investigador recorreu a metodologias geoquímicas, mineralógicas e bioquímicas, destacando através deste tipo de investigação como evolui cromaticamente o mármore e o calcário.

Fonte: Universidade de Évora

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