09 Dez. 2022
Augusta Serrano
Ecos da Planura
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NACIONAL

“Há vergonha em denunciar estes casos;é comum pensar “entre marido e mulher não se mete a colher”diz Raquel Segadães da APAV(c/som)

Regional Escrito por  25 Nov. 2022

 

Hoje assinala-se o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres, data instituída pela ONU em 1999.

No âmbito desta data simbólica, a APAV divulga hoje o Relatório de Estatísticas sobre Violência Doméstica e Vítimas no Feminino, com dados de 2021.

Durante 2021, a APAV apoiou cerca de 28 mulheres e raparigas por dia, vítimas de crimes como violência doméstica, difamação e perseguição, entre outros. Em contexto de violência doméstica, 45% das vítimas tem entre 26 e 55 anos.

Quanto à pessoa agressora, 67% são do sexo masculino e em 55% dos casos a relação entre vítima e agressor era de intimidade. As relações familiares de consanguinidade representam 37% das situações aqui reportadas. Verifica-se a prevalência da vitimação continuada (58%), sendo que em 28% dos casos a vítima recorreu ao apoio da APAV entre 2 a 6 anos após o início das agressões

Este é um flagelo cada vez mais acentuado e que é preciso combater e para este combate é essencial a consciencialização da sociedade para a temática.

A Rádio Campanário falou com Raquel Segadães, assessora de Imprensa da Apav relativamente a esta data e, simultaneamente, relativamente aos dados hoje divulgados pela APAV.

Raquel Segadães começou por nos referir “nos últimos anos temos tido na procura deste nosso apoio o que significa que a área da sensibilização que trabalhamos está a produzir efeitos pois há mais pessoas a pedir ajuda.”

Para a APAV estas campanhas de sensibilização são extremamente importantes pois como refere “esta data simbólica assim como outras semelhantes são muito importantes mas temos que penar nas mulheres vítimas de violência, todos os dias do ano” acrescentando “as pessoas que estejam a passar por situações de violência devem pedir ajuda, sem qualquer vergonha, porque a culpa nunca é delas.”

Questionada se ainda existe o estigma da denúncia por parte das vítimas, Raquel Segadães realça “sim ainda exista essa vergonha em denunciar, é muito comum pensar-se que entre marido e mulher não se mete a colher ou que se ele está zangado é porque eu fiz alguma coisa errada.”

A violência, realça “não é apenas física e muitas vezes a mulher ainda se culpabiliza por estar a passar por uma situação dessas” realçando a importância de trabalhar este tema especialmente junto das comunidades mais baixas.

No que diz respeito a “esta vergonha” em territórios do interior, onde todas as pessoas se conhecem, Raquel considera que “estes fatores têm sempre algum peso no momento de pedir ajuda” realçando contudo “ mais do que regional este é um problema à escala naciona.l”

A Assessora da APAV termina deixando uma mensagem “as pessoas que passam por estas situações de violência podem e devem pedir ajuda e todos nós enquanto sociedade temos o dever de estar atentos ao outro ; trata-se de um crime público que pode ser denunciado por qualquer pessoa.”


A APAV conta com 21 Gabinetes de Apoio à Vítima, 4 Equipas Móveis de Apoio à Vítima e 32 Pólos de Atendimento em Itinerância, além de prestar apoio à distância através da Linha de Apoio à Vítima (116 006) e da Linha Internet Segura (800 219 090) — chamada gratuita, dias úteis das 8h às 22h.


 


 

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