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Portalegre

MP abre inquérito à morte de homem que morreu à espera para ser atendido no Hospital de Portalegre

Regional 21 Jan. 2021

O Ministério Público abriu um inquérito sobre a morte de um doente, de 87 anos, na segunda-feira, no hospital de Portalegre, depois de estar quase três horas numa ambulância.

A notícia é avançada pela Agência Lusa que questionou, através de correio eletrónico, fonte da Procuradoria-Geral da República (PGR) e que confirmou "a instauração de inquérito" sobre o caso, o qual se encontra em investigação no Ministério Público de Portalegre.

Também o hospital de Portalegre já anunciou a abertura de um inquérito interno para apurar as circunstâncias da morte do homem, utente de um lar em Cabeço de Vide, no concelho de Fronteira, naquele distrito., tal como a Rádio Campanário já tinha noticiado.

A abertura de inquérito na unidade hospitalar foi anunciada à Lusa, na madrugada de terça-feira, pelo presidente do conselho de administração e pelo enfermeiro diretor da Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA), Joaquim Araújo e Jorge Marques, respetivamente.

Os responsáveis indicaram, então, que o idoso foi triado dentro da ambulância que o transportou até ao hospital, na qual esteve, pelo menos, duas horas e 44 minutos, devido à zona dedicada à covid-19 no Serviço de Urgência estar lotada.

Segundo as mesmas fontes, o idoso foi inscrito no hospital às 16.29 horas e triado por um enfermeiro, dentro da ambulância, seis minutos depois, às 16.35 horas.

"O doente é totalmente dependente, é trazido [ao hospital] por dispneia [falta de ar] de um lar de Cabeço de Vide, onde há um surto de covid-19, razão pela qual entra no circuito covid", explicaram.

No entanto, de acordo as fontes da ULSNA, o doente não estaria infetado pelo vírus que causa a covid-19, informação que apenas terá sido obtida pela unidade hospitalar após ter sido declarado o óbito acrescentando que, na sequência da triagem, foi possível apurar que o doente não estava "dispneico pela saturação baixa [de oxigénio]" e foi-lhe atribuída a pulseira amarela, de doente urgente.

"Na altura em que é triado, o enfermeiro fala com a médica que passa pela ambulância" para "ver o doente, pois, a área dedicada a doentes respiratórios estava lotada, tendo a médica confirmado que o doente estava estabilizado", disse Jorge Marques.

 

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