24 Jan. 2022
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No comboio entre Lisboa e Évora: saiba o que visitar pelo caminho

Regional 26 Ago. 2021

O sinal sonoro ecoa pela plataforma da estação de Entrecampos: “Senhores passageiros, o comboio precedente de Lisboa – Oriente e com destino a Évora vai dar entrada na linha número 4. Efetua paragens em Sete Rios, Pragal, Pinhal Novo, Vendas Novas e Casa Branca”. Com os passageiros sentados confortavelmente e já de telemóveis e auriculares a postos para se entreterem na viagem, o maquinista dá as boas-mais com uma voz humana e simpática, indicando a hora prevista de chegada a Évora. “Boa-viagem”, deseja ele.

O percurso inicia na Estação de Pinhal Novo. De acordo com a Evasões, Teresa Rosendo, pinhalnovense, lembra-se de os seus avós, antigos ferroviários, lhe contarem algumas histórias e de a família recordar outras tantas ao longo dos anos. “Aqui é praticamente impossível não ter um ferroviário na família”, garante a responsável pela investigação e projeto museológico d’ A Estação. O museu municipal abriu em junho na antiga estação de comboios de Pinhal Novo e recorda o papel da ferrovia no desenvolvimento da vila e das linhas do sul e sueste que partiam, à data, do Barreiro.
Em 1858 já existiria um edifício ao pé da linha, mas o primeiro comboio só passou “oficialmente” um ano depois, com a família real a bordo, que passaria a usar a linha para ir para o Alentejo veranear. A partir de 1930 foi pujante o desenvolvimento social e urbanístico de Pinhal Novo, tanto que em 1935, data da estação hoje visitável, existiram 11 linhas, controladas por uma torre projetada pelo arquiteto Cotinelli Telmo em traços modernistas.
Na sala interior do museu retrata-se a evolução das estações, do século XIX à atualidade e o sistema de bilhética. Já na secção “Ser Ferroviário” percebe-se como este era um universo de muitas profissões altamente especializadas, mas às quais as mulheres estavam vedadas – eram, essencialmente, guardas de passagem de nível. Expostos estão também muitos objetos do quotidiano, doados por Rafael Augusto Rodrigues Manuel Ribeiro, dois antigos ferroviários do concelho. Na antiga plataforma admiram-se ainda painéis de azulejos representativos de toda a região da Arrábida e a da herdade de Rio Frio.

A próxima paragem é na Estação de Vendas Novas. Segundo a Evasões, a história de Vendas Novas também se cruza de forma indelével com a expansão dos caminhos de ferro, e depende essencialmente de três momentos. Primeiro, quando D. João III mandou construir a estação da Posta Sul e uma sede em Aldeia Galega (o atual Montijo); o segundo quando foi criada a ligação entre Montijo e Montemor, que o rei usava para caçar; e terceiro, a edificação de duas pousadas, em Evoramonte e em Vendas Novas, próximas das estações.
Mais recente (e difusa) é a história que passou a associar esta terra alentejana às bifanas. Luís Godinho, responsável pelo Império das Bifanas com a mulher, Célia, conta que a bifana terá surgido espontaneamente, quando, num café, à falta de carne assada, terão servido a sandes com o lombo do porco envolto num molho de manteiga. A especialidade popularizou-se numa série de espaços na Boavista, mas nos últimos 30 anos tem-se expandido para outras zonas.
Foi o que fez este casal, que toda a vida trabalhou em espaços destes e há cinco anos abriu o Império das Bifanas, à beira da EN4 e a menos de 15 minutos a pé da estação. Além da bifana normal, os clientes também podem pedir com queijo e orégãos, presunto e alho; fiambre; cogumelos; ovo estrelado; alface e tomate. E só provando se percebe a razão do sucesso: a carne de porco é fresca, o molho é segredo, o pão é meio torrado e o final é de lamber os dedos.

Segue-se a Estação de Évora, onde tem que conhecer o Hotel O Cante. Segundo a Evasões, funcionários trajados com as cores do cante alentejano, mantas alentejanas, fotografias antigas nas paredes e um instrumento de debulhar a terra com tração animal são só alguns dos elementos que homenageiam o Património Imaterial da Humanidade e o ambiente rural da região, no novo hotel O Cante, aberto em junho, a 200 metros da Porta de Alconchel, em Évora.
O alojamento faz-se em 49 quartos (alguns deles estúdios com copa) e uma suíte e é complementado com uma piscina exterior, spa (sauna, hidromassagem e banho turco), restaurante, sala de reuniões e bar com esplanada e terraço. A decoração à base de madeira e cortiça lembra as planícies alentejanas e há estrofes de cante alentejano nas paredes (e atuações ao vivo no hotel).

Ainda em Évora, tem oportunidade de conhecer o restaurante Híbrido. Caminhando pelas ruas do centro histórico de Évora, é preciso estar atento para detetar a árvore símbolo do Híbrido, um dos recentes restaurantes da cidade. João Narigueta e Filipe Reboxo são os jovens cozinheiros autores do projeto. Depois de uma passagem por várias casas de renome como o L’And Vineyards, onde se conheceram, decidiram apostar juntos neste espaço marcado pela experimentação, e onde fazem uma cozinha de autor com base nos produtos locais, sazonais e biológicos. O ponto de partida foi uma reinterpretação de receitas tradicionais.
A carta, curta mas diversa entre carne e peixe, muda todas as semanas (e às vezes no mesmo dia) em virtude da disponibilidade dos produtos e da inspiração. Mas pode ter, por exemplo, ostras do Sado com vinagrete de sementes de coentros e cebolinho; empada de veado desfiado com legumes e mostarda fermentada caseira (adaptação de uma receita do século XVI); tártaro de mertolenga (carne alentejana) com beldroegas ou pescada com xerém de tomate. A garrafeira privilegia também pequenos produtores locais e vinhos biológicos, e só há cervejas artesanais.

Como alternativa as opções gastronómicas do hotel M’Ar De Ar Aqueduto. Saladas, sanduíches, tostas, hambúrgueres e wraps são as propostas de comidas leves da esplanada do hotel M’Ar De Ar Aqueduto. As opções vão da sopa de melão com presunto crocante à clássica salada caesar e ao wrap de salmão fumado, tudo confecionado com o toque do chef alentejano António Nobre. Para refrescar a garganta há também uma coleção de bebidas frescas, ou tão só cervejas bem tiradas. Este espaço ao ar livre funciona todos os dias das 11h às 00h e está aberto ao público não hospedado. A pernoita em quarto duplo começa nos 144 euros.

Fonte: Evasões

Foto: Paulo Spranger

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