Campo Maior

Projeto com habitantes em Ouguela (Campo Maior) quer inverter despovoamento

Regional 06 Jan. 2022

Um projeto participativo em curso em Ouguela, no concelho de Campo Maior (Portalegre), quer inverter o despovoamento daquela aldeia, através da valorização do legado histórico, cultural e ambiental local e do saber ancestral dos habitantes.

Trata-se de “um dos dois únicos projetos do Programa Bairros Saudáveis aprovados no Alto Alentejo”, destacou hoje à agência Lusa Rui Andrade, presidente da entidade promotora da iniciativa, a Associação para a Educação Artística e as Literacias (AVOAR).

O projeto, designado Ouguela Comvida, pretende envolver os “cerca de 60 habitantes” da povoação, decorrendo em parceria com a Câmara de Campo Maior e a Junta de Freguesia de São João Baptista, explicou o responsável.

A ideia é “espoletar um movimento comunitário, que envolverá os habitantes, num processo de atualização e revitalização socioeconómica” da aldeia, segundo a publicação ‘online’ governamental Jornal dos Bairros Saudáveis.

Com as várias atividades a desenvolver, pretende-se “empoderar a população, através do autoconhecimento, do legado histórico, cultural e ambiental, estimulando a produção de artesanato e a valorização de produtos agrícolas para comercialização”.

Rui Andrade indicou que o projeto, que decorre até agosto deste ano, quer “envolver o maior número de habitantes possível” e fazer com que esta população “sinta orgulho da sua terra e do seu legado”.

“E até poderem eventualmente ganhar dinheiro com coisas que já fazem”, conseguindo, ao mesmo tempo, “interessar outras pessoas, novas ou que eram da aldeia mas saíram, a regressarem a Ouguela”, acrescentou.

Os primeiros passos do projeto, que já estão a ser dados, incluem “oito pequenos filmes”, criados em conjunto com moradores, “sobre os próprios habitantes e a aldeia”, estando também prevista a elaboração de um livro, apontou.

Além disso, pretende-se “reabilitar a aldeia para fruição de habitantes e visitantes, promover a abertura de um espaço comunitário” e “dar a conhecer Ouguela e as suas novas dinâmicas com o objetivo de atrair visitantes e novos habitantes”.

Antiga vila medieval e detentora de um castelo, Ouguela, perto de Campo Maior e “a menos de meia hora de distância de Elvas e de Badajoz”, é uma localidade “onde está tudo muito arranjadinho, pois, a câmara tem investido muito no edificado”.

Contudo, “chega-se lá e não há nada aberto”, lamentou Rui Andrade, referindo que, antigamente, a terra chegou a ter “três tabernas e três mercearias”.

Em tempos, também “teve 900 habitantes e duas salas de aula da escola primária a funcionar”, mas, hoje, “não há crianças” e a população esta envelhecida, relatou, frisando que “as pessoas estão entusiasmadas” com o contributo que podem vir a dar ao projeto.

Numa das salas de aula da antiga escola, até pode vir a funcionar “um café-restaurante” e já “há um casal entusiasmado com a ideia”, mas “todos podem prestar serviços simples”, como a “produção de artesanato” ou servir de “guia para os visitantes”.

“Queremos deixar sementes, até agosto, e estimular as pessoas”, disse o presidente da AVOAR, sediada em Castelo de Vide.

A iniciativa já tem o apoio institucional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e da Turismo do Alentejo e Ribatejo, que “está a inserir [a aldeia] em duas rotas, na do Turismo Militar e na das Fortalezas Abaluartadas”, frisou o responsável do projeto.

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